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Mensagem do pároco › 22/01/2016

Casa comum, nossa responsabilidade

A Igreja é uma extensão do ministério terreno do Senhor Jesus Cristo, que inaugurou o Reino de Deus, possibilitando que todos os que Nele creem desde então começassem a fazer aqui na terra a vontade do Pai como é feita no céu (cf. Jo 20,21; Mt 6,10). Assim, ela é e deve ser um sinal histórico deste Reino, que já está entre nós parcialmente e que um dia se revelará em sua plenitude, na glória celeste (cf. Lc 11,20; 17,21).
Com a Campanha da Fraternidade (CF), todos os anos a Igreja no Brasil procura ser este sinal profético, perseguindo alguns destes seus objetivos permanentes: despertar o espírito comunitário no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor; e renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária.
A CF, como de costume, será aberta na quarta-feira de Cinzas, 10 de fevereiro – início da Quaresma – pois possui um claro sentido de conversão, com o objetivo de levar cada cristão a uma real mudança de vida. O tema deste ano, em clara sintonia com a Encíclica do Papa Francisco Laudato Si será: “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o lema:  “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, baseado no texto bíblico de Amós 5,24. A CF 2016 chamará a atenção para a questão do saneamento básico no Brasil, considerado um direito fundamental. São os cristãos debatendo com a sociedade questões básicas para garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida a todos.
Moradores de grandes cidades como nós, e ainda mais de regiões centrais, podem em um primeiro momento estranhar a proposta da CF, pois estamos bem instalados e aparentemente tudo vai bem conosco, obrigado. Todavia, existem questões desafiadoras e dramáticas por trás de tal temática.
Em primeiro lugar, é preciso refletir sobre isto porque o abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o controle dos meios transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são necessários para a saúde e a dignidade de vida. E mais, o acesso à água potável e ao esgoto sanitário são essenciais para a erradicação da pobreza e da fome, para a erradicação da mortalidade infantil e para a sustentabilidade ambiental.
Mas, afinal, o que é mesmo o saneamento básico?
É o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações físicas, educacionais, legais e institucionais que garantem: abastecimento de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição; esgotamento sanitário – coleta, transporte, tratamento e disposição final adequada dos esgotos sanitários; limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos – coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico, hospitalar, industrial e das varrições e limpeza de rua; drenagem e manejo de águas pluviais urbanas.
No mundo algo em torno de 2,4 bilhões de pessoas não tiveram acesso ao saneamento básico melhorado em 2015. No Brasil, uma pesquisa de 2013 mostrou que 82% da população brasileira não têm acesso à água tratada, mais de 100 milhões de pessoas não

têm acesso à coleta de esgoto, e apenas 39% dos esgotos são tratados. Ou seja, diariamente são despejados na natureza o equivalente a 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento.
Ainda é muito comum longe dos grandes centros que as pessoas utilizem fossas rudimentares em quintais ou lancem seus esgotos a céu aberto. O Brasil está entre os 20 países do mundo nos quais as pessoas têm menos acesso aos banheiros. Consequência, as mais variadas doenças. No mundo, uma criança morre a cada 2,5 minutos por não ter acesso à água potável. Se toda a população tivesse acesso à coleta de esgotos sanitários haveria uma redução em termos absolutos de 74,6 mil internações.
Por fim, uma característica interessante desta CF é o seu caráter ecumênico. Pela quarta vez ela será realizada em parceria entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), do qual fazem parte as igrejas Católica Apostólica Romana, Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Sirian Ortodoxa de Antioquia e Presbiteriana Unida.
A CF é um grito dirigido a toda a sociedade, um anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo, que ao mesmo tempo anuncia o Rosto Misericordioso de Deus e denuncia a feiura do pecado do homem, que rouba, destrói e mata o que há de mais precioso em cada ser humano, a sua dignidade de filho e filha de Deus. É, portanto, um gesto de salvação, libertação e restauração, porque visa alcançar as pessoas em sua totalidade, corpo-alma e espírito, bem como suas relações e circunstâncias.
Saiba mais, acessando o site: www.campanhas.cnbb.org.br.

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