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Mensagem do pároco › 01/11/2016

O céu é logo

Chegamos ao penúltimo mês de um ano histórico para nossa comunidade paroquial. É hora de recuperarmos o fôlego para novamente entregarmos os nossos corações às incomparáveis alegrias das festas natalinas, seguidas do providente período de férias típico do final de dezembro e início de janeiro.

Mas, como simplesmente virar a página após a celebração do nosso jubileu de ouro? Como não deixar de registrar nossa gratidão ao Senhor e a Nossa Senhora de Fátima por tudo que vivenciamos nos últimos meses e que alcançou o ápice na celebração do dia 13 de outubro?

Sim, juntos vamos dar muitas graças ao Senhor pela existência desta linda comunidade de fé que é a nossa Paróquia, feita de tantos rostos, construída por tantas mãos, sustentada de pé graças a incontáveis pessoas, que de joelhos, na oração e na entrega de suas vidas nos apoiam e fortalecem nosso caminhar. Gratidão à geração fundadora, que jamais deverá ser esquecida. Gratidão às centenas de pessoas que são o hoje desta comunidade, pessoas que com seu “sim” de cada dia certamente deixarão um belo legado à próxima geração. Gratidão aos bispos, padres, amigos de várias partes que prestigiaram este jubileu.

Alterando um pouco o foco desta reflexão, vamos considerar dois importantes dias litúrgicos que marcam este mês, e depois o início do Advento do Senhor. Sobre a Festa de Todos os Santos (dia 1º) é importante lembrarmos que o culto aos santos em nada agride a nossa fé em Jesus Cristo, nosso Deus, único Mediador e Salvador dos homens (cf. 1Tm 2,5; At 4,2; Jo 14,6, etc.). A veneração aos santos, ao contrário, reforça nossa fé Nele, que com Sua graça vitoriosa é capaz de triunfar sobre a miséria do pecado e transformar pessoas comuns, como nós, em legítima semelhança de Deus. O santo é alguém que correspondeu às oportunidades que a graça divina lhe deu e teve seus méritos coroados por Cristo. Todo santo é, portanto, um exemplo a ser seguido (imitado – 1Cor 11,1), por causa de seu testemunho virtuoso dado nesta vida, mas também um amigo fiel com o qual podemos contar com a oração de intercessão. Por fim, todos nós somos chamados à santidade (cf. 1Pd 1,15; 1Ts 4,3-7; Mt 5,48 etc.).

Já a comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (no dia 2), tem suas raízes nos primeiros séculos do cristianismo, quando as comunidades faziam memória de seus mártires e muitas vezes celebravam a Eucaristia sobre suas catacumbas, incluindo, igualmente, orações pelos mortos, segundo tradição bíblica de 2Mc 12,38-45, de onde destacamos: “De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos. Mas, considerando que um ótimo dom da graça de Deus está reservado para os que adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar…” (vv. 4-45a).

Tanto na celebração dos santos como na dos defuntos a Igreja nos ajuda a compreender o sentido da fé em Cristo, já que todo aquele que Nele crê possui vida eterna (cf. Jo 3,16.11,25). Isto significa que a morte não rompe a nossa unidade, chamada pela Igreja de “comunhão dos santos”. Compartilhamos dons entre nós porque somos Igreja. Do céu somos edificados pelo testemunho, boas obras e orações dos santos; da terra repartimos igualmente graças com os fiéis do purgatório, que por sua vez também não deixam de orar por nós, visto que somos um único corpo místico chamado Igreja, do qual Cristo Senhor é cabeça, Senhor que assumiu, sim, nossa natureza humana para redimi-la, mas ressuscitou e já tem preparado para os seus uma morada na Casa do Pai, para a qual caminhamos (cf. Jo 14,1s).

Se nos enche o coração de alegria a celebração de apenas 50 anos de caminhada de uma paróquia, o que não deve fazer em nossa alma a esperança que temos de, em Cristo, vivermos eternamente, desfrutando da visão da Face do Senhor e do amor perfeito, na companhia dos anjos e santos do Senhor? Aqui estamos de passagem, somos estrangeiros nesta terra, porque nossa verdadeira pátria é o céu, de onde aguardamos o Senhor – que, como veio uma primeira vez, no Natal, voltará (tema central do Advento, que neste mês se iniciará). Sendo assim, a palavra de ordem é perseverança na graça, pois o céu é logo e jamais passará.

Pe. Augusto César Pároco

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