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Mensagem do pároco › 27/03/2017

O ministério da páscoa

“Purificai-vos do velho fermento, para que sejais uma massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.” (1Cor 5,7)

O mistério pascal é o dado primordial de nossa fé e o centro vital de todas as celebrações litúrgicas. Aliás, a sagrada liturgia surgiu e se desenvolveu a partir da ação pascal de Cristo, primeiro a cada domingo – Páscoa semanal, dia do Senhor (cf. At 20,7; Ap 1,10) –, e depois com a comemoração anual da Páscoa.

A Páscoa é a proclamação e a atuação presencial da ação redentora de Cristo na morte de cruz e no milagre do sepulcro vazio. Por um lado, anunciamos (proclamação) que Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou para nossa salvação (cf. Rm 4,25), por outro, “tocamos/entramos” nesse Mistério (atuação presencial), alcançando graças infinitas na participação dos sacramentos, sobretudo a Santíssima Eucaristia, e, de modo especial, na Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias e a principal Missa do ano!

Na Páscoa, portanto, não apenas recordamos o que Deus fez por nós em Cristo e noticiamos isso às pessoas, essa é a primeira parte, que não pode ser ignorada. Mas, na Páscoa vamos além da memória e do anúncio: nós nos unimos espiritualmente ao Mistério, entrando com Jesus em Sua paixão e morte, morrendo para o pecado com Ele, e provamos também a força da Sua Ressurreição, ressuscitando para uma vida nova.

Assim, tudo o que cremos e anunciamos acerca do Senhor, de fato, realiza-se conosco. Não é teatro, nem é simbolismo; é sacramento, é realidade, é fé que se traduz em vida, graça que se encarna em nós e nos transforma Naquele em que cremos, de modo que Ele vive verdadeiramente em nós (cf. Gl 2,20).

Ainda estamos na Quaresma, preparando-nos para celebrar o grande dia da reconciliação de todos os homens com Deus, por meio do sangue precioso do Filho Dele. Mas, como tem sido esta preparação?

Quando você oferece uma festa de aniversário ou um jantar festivo, não se prepara para isso? Você pensa nos detalhes da festa, convida pessoas, compra coisas, aluga, enfim… Se é justo e louvável que a cada ano comemoremos aniversários de vida biológica, e comemoremos nossos momentos importantes (início do namoro, dia do casamento, etc.), como não deve ser a nossa celebração do dia em que nosso amado Deus veio procurar os que estavam perdidos e condenados e, por amor, redimiu-os e convidou-os a voltar para casa e andar em comunhão de vida em Sua presença!? Pois bem, isso é celebrar a Páscoa!

Na Páscoa celebramos o nosso matrimônio espiritual com Cristo, por obra do Espírito Santo. Sim, celebramos a nossa união com Deus, o nosso acesso à vida eterna, a passagem deste mundo de pecados para a vida de Deus, mediante a libertação do pecado e a adesão a Cristo. Preparar-se para bem celebrar essa graça maravilhosa é o mínimo que devemos fazer… Mas, fica aqui a pergunta: como preparar-se?

Ora, como ensina a Santa Igreja. Além de viver bem a Quaresma, com exercícios espirituais e penitências, ou seja, tirando algo que não presta de nós e enchendo-nos mais de Deus, teremos pela frente a Semana Santa, considerada a semana maior do calendário litúrgico.

Ela se inicia com o Domingo de Ramos, celebrando a entrada de Cristo em Jerusalém; apesar das aclamações eufóricas, Sua entrada significou, na verdade, Seu sacrifício na cruz. Na segunda, recordamos a prisão de Cristo. Na terça, as sete dores de Nossa Senhora e o encontro de Jesus e Sua Mãe Santíssima no Calvário. Na quarta, já não é o costume na maioria das igrejas, mas celebra-se o ofício das trevas, lembrando que o mundo já está em trevas devido à proximidade da morte de Jesus.

Por fim, adentramos o TRÍDUO PASCAL, o coração da Semana Santa. Na manhã da quinta o bispo celebra com todo o clero a Missa dos santos óleos, mas é na celebração noturna, que popularmente chamamos “lava-pés”, que entramos no tríduo, unidos a Jesus na última ceia. Fazemos memória da instituição da Santíssima Eucaristia e do sacerdócio ministerial ou hierárquico. Deixamos a igreja com o altar desnudo, adoramos o Senhor no Santíssimo Sacramento e nos impregnamos do espírito de luto em função da prisão de Jesus. Nessa Missa não temos bênção final, pois, na verdade, o tríduo é uma celebração única, que não termina, antes, começa nessa Missa.

Na sexta à tarde temos a ação litúrgica recordando a morte do Senhor, com seus quatro momentos: liturgia da palavra, oração universal; adoração da cruz e rito da comunhão.

Por fim, no chamado “Sábado de Aleluia”, após serena espera, soltamos o exultante grito preso na garganta e com toda a Igreja bradamos o Glória e o Aleluia na vigília pascal, pois o Senhor ressuscitou verdadeiramente! Tal celebração é de uma importância, beleza e profundidade incomparáveis que só podemos nos preparar dignamente para dela participar. E, finalmente, no domingo, sobretudo em nossas famílias, após a participação piedosa na Santa Missa, devemos celebrar a Páscoa em meio à festa e à alegria ao lado dos nossos, livres do velho fermento de pecado, qual massa nova, refeita pela graça de Cristo, Cordeiro Santo, nossa Páscoa e salvação.

 

Feliz Páscoa!

Pe. Augusto César
Pároco

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