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Mensagem do pároco › 24/01/2017

O que esperar de 2017?

Em uma linguagem curiosa com a qual há muito nos acostumamos, repetidamente ouvimos este ou aquele especialista dizer: “O mercado está agressivo… Está em baixa… Prevê crescimento ou piora…”, etc. Fala-se do tal mercado como se fosse uma pessoa, que tem raciocínio, planos, emoções. É algo tão comum que vivemos e nos movemos a partir de perspectivas materiais, financeiras, disso ou daquilo.

É evidente que, como cidadãos, temos de ter o mínimo de conhecimento de como o mundo se organiza e estar a par dos fatos que nos cercam, pois nos afetam. Isso engloba economia, relações sociais, política, etc. Mas é preciso tomar cuidado para que nossa vida não seja regida apenas por esses valores.

No Evangelho Nosso Senhor alertou: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (6,24). As palavras são muito claras: não há meio termo, ou se serve a Deus, ou se serve ao dinheiro. Veja o exemplo do Brasil: enquanto a economia estava bem, ou em crescimento, tendo sido a sexta maior do mundo – independentemente do caminho escolhido para chegar aonde chegou e das consequências que traria – o país estava relativamente calmo e sereno. Nesse período duros golpes na identidade moral e cristã do país foram dados, como concessões aos abortistas (que infelizmente tiveram mais um trunfo no final de 2016), crescimento da ideologia de gênero, da ideologia e do lobby gay, etc. Mas, como economicamente estávamos bem, pouca gente se manifestou.

Bastou o cenário alterar-se, cair o consumo nas famílias, o PIB diminuir, os juros aumentarem, ou seja, a economia “sangrar”, para que alvoroços fossem percebidos aqui e acolá e operações contra a corrupção se tornassem os assuntos mais importantes no país por tanto tempo. Quer dizer, quando aperta no bolso, a consciência desperta. E os outros tropeços que o país vem levando, como na moral, quem se importa?

Mas, por que tal reflexão no início de um ano? O que isso tem a ver com a nossa caminhada em 2017?
Gostaria de convidar cada um de vocês a uma nova postura diante da vida, que coloque os valores do Reino de Deus como prioridade e, assim, essas coisas que acabei de mencionar se tornem, de fato, secundárias. Para bem compreender aonde quero chegar peço que leiam com calma o texto bíblico de Mt 6,24-34 e a partir dessa leitura, quero convidá-los a pensar nesta pergunta: “O que devo esperar, então, de 2017?”.

Mais do que nos preocupar com os rumos do governo, as novas prefeituras, os mercados nacionais ou internacionais, o efeito Trump e a continuidade ou não da Lava-Jato, é preciso compreender que, como povo de Deus, estamos vivendo um tempo de graças sem precedentes.

Desde outubro de 2016 a Igreja no Brasil vive seu Ano Mariano, por ocasião dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do Rio Paraíba do Sul. Se é verdade o que disse Sua Santidade, o Papa Francisco, “Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”, temos diante de nós neste 2017 uma oportunidade especial para renovarmos a nossa devoção e consagração à Mãe de Deus e nossa, a Senhora Aparecida.

Junto desse fato temos outro, que não é de menor importância e que envolve sobremaneira esta paróquia, porque, se foi especial para todos nós o jubileu do ano passado, o que não devemos esperar da parte de Deus em função do centenário das aparições de Nossa Senhora, em Fátima?

Estamos literalmente diante de um Ano Mariano, tempo de celebração, memória e gratidão, mas também de chamado a uma nova atitude. Aparecida nos fala de um contexto de escravidão que viria a cair no país, fala de milagres divinos a um povo sofredor por intercessão de sua boa Mãe. Fátima apela para a conversão, a penitência pelos pecadores, clama por uma consagração especial a Deus, por santificação.

Tanto em Aparecida como em Fátima é a mesma mulher revestida do Sol, com a Lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa, porque é Rainha (cf. Ap 12,1) quem se manifesta, a mesma mulher que em Caná resumiu o Evangelho, ao apontar-nos o caminho para a salvação: “Fazei tudo o que Ele (Jesus) vos disser” (Jo 2,5).

O que esperar, então, de 2017? Podemos esperar muitas graças para nossas vidas, famílias e comunidade se, de fato, nos consagrarmos à Santíssima Virgem Maria e atendermos aos seus amorosos apelos, e colocarmos o Reino do Seu Filho como prioridade em nossas vidas.

Pe. Augusto César
Pároco

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