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Mensagem do pároco › 22/01/2016

O que fazer em 2016?

 

“Apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã.

Conduziu as ovelhas para além do deserto e chegou ao Horeb, a montanha de Deus” (Ex 3,1).

A vida do conhecido personagem bíblico Moisés já foi muito retratada, porém no versículo acima se encontra um dado que ainda é muito desconhecido: o ponto de partida da reviravolta de sua empolgante história de vida.

Por quarenta anos, a existência de Moisés, depois de ter deixado o Egito e adentrado o deserto, foi cinzenta e árida. Ele era pastor das ovelhas do sogro, levantava-se sempre na mesma hora para conduzir o rebanho ao mesmo campo, para beber do mesmo poço e antes do pôr-do-sol guardá-las no mesmo redil. Era uma profissão monótona, que o influenciava e tornava sua vida monótona, programada, sem surpresas.

Na primeira fase de sua vida vivera às sombras das pirâmides do Egito, nesta segunda dependia da tenda do sogro; em outras palavras era um homem dependente, incapaz de traçar seu próprio rumo.

Mas tudo mudou no dia em que ele “conduziu as ovelhas para além do deserto”. Ali ele rompeu com um ritmo de vida, foi além no seu normal, do seu padrão. Isto fala mais de uma atitude pessoal do que da superação de uma faixa de terra. Ele foi além de onde sempre tinha chegado naquela manhã, desprogramou a monotonia e atravessou a fronteira de suas próprias seguranças, e foi então que ele chegou na montanha de Deus, o Horeb, e iniciou um novo ciclo em sua vida.

Quando somos capazes de romper com nossos limites, quando ousamos ir além do pré-estabelecido e deixamos certas tradições para trás contemplamos a sarça ardente e somos transformados (cf. Ex 3,2-6).

Deus libertou Moisés de suas próprias seguranças, manias e tabus. Deus o fez livre por dentro, capaz de trilhar novos caminhos e cruzar fronteiras. E pôde então ver Deus se manifestar em uma sarça, que era um arbusto qualquer, que para nada servia; não era belo como uma roseira, nem imponente como um cedro. Quando somos livres interiormente até nas coisas mais insignificantes encontramos a presença de Deus.

Deixe para trás a aridez de 2015, as perspectivas negativas, os velhos hábitos, saia do seu mundinho, mude de caminho, jogue fora o que não presta e que está entulhado no seu interior, Deus está além do deserto e te chama pelo nome, pois conhece sua história e sabe do potencial que habita em você (cf. Ex 3,4).

No início deste ano deixe Deus mexer primeiro com o seu interior e mudar o modo como você se relaciona com Ele.

Se você sente que tem pessoas com quem é preciso reatar os vínculos por meio do perdão, vá além do deserto do orgulho e se reconcilie. Não espere que a sarça venha até você, tome a iniciativa e você encontrará Deus no meio da situação que não esperava.

A Bíblia diz que a misericórdia do Senhor se renova a cada manhã (cf. Lm 3,23). Isto vale também para este início de ano. Aceite as oportunidades que o céu te dá para começar tudo de novo. Não leve mágoas, ressentimentos e amarguras para o ano novo. Leve pessoas com você até o monte de Deus, deixe a misericórdia renovar a sua vida.

Por fim, frente a sua lista de prioridades para 2016, não fique esperando que ela saia do papel, pois não sairá. Coloque-se a caminho, vá em frente, cruze a fronteira do deserto e você verá a sarça arder.

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