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Mensagem do pároco › 20/02/2017

Quaresma, tempo de lutas e vitórias

Com a Quarta de Cinzas iniciamos o período quaresmal, que em poucas palavras se define como a preparação dos católicos para a Páscoa do Senhor. É um tempo privilegiado para refletirmos no chamado à eternidade – motivo de nossa grande dignidade! –, tempo propício para o arrependimento e a oração.

No quarto século, São Leão Magno, um dos maiores Papas na história, escreveu: “Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne. Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo. Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito, nenhuma ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu mestre”.

Para que os desejos da carne não prevaleçam sobre o espírito e nos escravizem, temos o dever de vigiar sobre os muros, as portas e as janelas de nossa alma, para não sermos surpreendidos pelas manobras do inimigo que, segundo Nosso Senhor, vem para roubar, matar e destruir (cf. Jo 10,10a). Na Quaresma a Igreja nos desafia a aperfeiçoar ou a reforçar esta vigilância, pois segundo a tradição espiritual dos Santos, é quando nossos adversários mais se aguçam, tramam e investem para nos tirar da presença do Senhor e, assim, nos privar das abundantes graças que são próprias do Mistério Pascal.

A Quaresma é, portanto, um tempo de guerra contra o mal, mal que se manifesta por meio de três piores inimigos, a saber: o diabo, as tendências pecaminosas de nossa natureza (a chamada “carne”) e o espírito do mundo. Na Quaresma temos de assumir seriamente para a nossa vida espiritual a exortação de São Paulo: “Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor…” (Fp 2,12).

Será de grande valia se você puder já no início deste tempo quaresmal fazer uma análise de como tem sido sua vida cristã, de quais áreas você precisa de um cuidado maior, e, na oração, deixar o Espírito Santo – qual “antivírus” – fazer uma varredura desde seu interior, a fim de que identifiques “vírus” ou potenciais ameaças à tua comunhão com Deus. Se encontrar qualquer coisa, querido (a) irmão (ã) não tenha medo de excluir de sua vida, não tenha medo de correr ao sacerdote e fazer uma boa Confissão, nem de ir às pessoas com quem tem faltado harmonia e comunhão e reconciliar-se.

São Leão Magno diz que na Quaresma devemos “castigar todas as molezas, apagando todas as negligências do passado”. É um tempo de redobrar a fé e a fidelidade ao Senhor. Mas não se engane: o inimigo não dorme e reage à medida que nos posicionamos para preparar dignamente nossas almas para o encontro com o Senhor. Só que por mais raivoso que ele se apresente, confie na promessa, que diz: “O que está em vós é maior do que aquele que está no mundo” (1 Jo 4,4).

Por nós mesmos nada podemos, mas com a graça de Deus agindo em nós, não há inimigos que não possamos derrotar. Creia nisso, peça arrependimento ao longo das suas orações nesta Quaresma, confesse-se ao menos uma vez, reconcilie-se com quem for necessário, dobre, se possível, seu tempo diário de oração, e vá tirando as coisas que não edificam da tua lista de “prioridades”: decida-se por menos novela, e mais reza do santo terço (se ainda não reza diariamente, comece… se já o faz, tente dobrar a dose e tentar recitar o rosário); decida-se por menos distração no seu smartphone, e mais contatos reais e diálogo com familiares e amigos; por menos exigências e caprichos na hora das refeições, e mais solidariedade com os que sofrem, se possível, doando aos mais pobres aquilo que você gastaria com você, e ainda neste campo, considere seriamente a possibilidade de jejuar ao menos uma vez na semana ou ao menos abster-se de algo que aprecias muito.

De modo muito especial quero convidar você e sua família para alistarem-se neste exército que lutará por uma vida mais santa nesta Quaresma, aderindo à nossa tradicional Caminhada Quaresmal. Com o tema: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15), de 02 de março a 13 de abril, durante sete quintas-feiras, teremos a celebração da Santa Missa, às 19h30, suplicando aos céus com orações por cura e libertação. Por fim, encerro esta reflexão com as sábias e sempre atuais de São Leão Magno, que em muito podem contribuir para termos uma caminhada quaresmal: “Meus caríssimos irmãos, não há atos de virtude sem a experiência das tentações, a fé sem a provação, o combate sem um inimigo, a vitória sem uma batalha. A vida se passa no meio das emboscadas, no meio dos combates. Se não quisermos ser surpreendidos, é preciso vigiar; se quisermos vencer, é preciso lutar”.

Pe. Augusto César

Pároco

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